quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Futuro é já ali.


As ciências, sejam elas quais forem, procuram estudar, os porquês, baseados no passado e no presente, tentando prever o futuro. Testes, experiencias, estudos, são feitos buscando andar sempre um passo mais á frente.

Todos sabemos que o futebol, não é uma ciência exacta, mas muito se fala do futuro do futebol, que tipo de jogo, que tipo tácticas, que tipo de pisos, que regras podem ser implementadas, que tecnologias utilizar.
Antes disso tudo, e primeiro que tudo, a questão que para mim, será a mais importante de todas. Que tipo de jogador(es).

Não é preciso muito para se perceber que o jogo actualmente é mais rápido e decidido em espaços curtos de terreno, nessa junção muitas vezes é decidido por movimentos / execuções curtas e rápidas. È essa a tendência futura e natural deste jogo.

Então que tipo de jogador serão a grande maioria dos jogadores do futuro, e falo num espaço temporal, dentro 10 / 15 anos.

A primeira característica que qualquer jogador de qualidade mediana terá, será a facilidade de executar de com ambos os pés. Passar a curta ou longa distância e recepcionar a bola, serão movimentos que terão que ser executados com a mesma naturalidade com ambos os pés. Driblar com ambos os pés é já uma característica que muitos dos actuais jogadores de top têm, no futuro, todo e qualquer jogador criativo deverá ter essa “condição” no seu jogo.

Onde irão buscar os atletas essa evolução?
A resposta é mais simples do que se possa supor. Ao treino. À qualidade dos seus treinos nos primeiros anos de prática. Quem treina os escalões de iniciação futebolista, sabe e entende os benefícios, que os mais jovens tiram, e tirarão no futuro pelo incentivo á execução, do passe, da recepção e do drible com ambos os pés. Do trabalho conjunto de coordenação com a lateralidade e de relação com a bola utilizando sempre os dois pés, sairão jogadores mais bem preparados, mais capazes e com maior bagagem técnica.

Que tipo de jogadores serão?
Serão jogadores que para além da já referida facilidade de execução ambidextra, e também por esse motivo, serão jogadores mais ágeis, mais inteligentes na leitura dos lances e do jogo, logo mais cultos tacticamente, e fundamentalmente predominará a polivalência, teremos mais jogadores capazes de fazer mais posições no campo.

Que jogo com este “novo” tipo de jogadores?
O jogo é pelos dias de hoje, quando a equipa esta em posse de bola, um jogo onde a busca constante pelo espaço e pelos desequilíbrios defensivos no adversário, são a busca constante dos colectivos.
Os espaços continuarão a ser poucos, e a necessidade de executar rápido manter-se-á, no entanto os jogadores estarão mais á vontade para decidirem e executarem rápido em espaços mais curtos. Mesmo nas posições onde agora a criatividade era menos necessária (centrais e laterais), essa evolução deverá de acontecer, será o ponto de partida, para a evolução dos modelos de jogo (posse e circulação, transições rápidas, contra ataque e jogo directo, defesas bloco alto, médio alto, médio baixo e baixo) tendo como base os esquemas tácticos ( 4*4*2, 3*5*2, 4*2*3*1, 4*3*3,4*1*3*2, etc)actuais, ponto em que nada mudará no futebol.
No meu ponto de vista, após a última grande evolução futebolística ter acontecido a nível táctico, o que levou a termos jogadores mais ágeis física e mentalmente, a próxima será a nível das características técnicas dos atletas, pelos motivos que apontei, teremos melhores atletas em termos de execução técnica (ambidextros), e de leitura e interpretação do jogo, a preocupação da formação incidirá na garantia que o atleta terá vários recursos técnicos / criativos, para utilizar a quando da leitura e interpretação das situações.

O futuro é já ali, mas já está a ser preparado hoje.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Porque não se impõe Nani em Manchester


Alguns de nós vimos ou ouvimos falar do estrondoso jogo de Nani no passado domingo, no Emirates Stadium. Um raro estrondoso jogo de Nani. Desde que se encontra na terras de sua majestade, fez talvez dois três bons jogos por ano, número que é significativamente insuficiente para um jogador com as suas características. Mas para entendermos o actual Nani temos que recuar ao Nani dos tempos de Alvalade
Nani no já longínquo losango de Paulo Bento, era um interior que dava largura, profundidade e verticalidade ao jogo, partindo de zonas mais interiores, era dos únicos se não o único a ter autorização a anarquizar o jogo dando-o esticões, para que entendam melhor a sua posição em campo era um pouco de Di Maria no actual Benfica.
Com a partida para Manchester, Fergunson procurou nele, mais um elemento para jogar bem encostado as linhas, como típico extremo.
O problema de Nani é que o United é uma equipa que na maior parte do tempo, joga em ataque continuado, com circulação de bola, e o Português nos jogos que era / é chamado a participar, pouco ou nada se envolve nessa circulação, não procura espaços interiores, logo pouca bola tem. Normalmente quando o vejo jogar no United sinto-o um corpo estranho na equipa, tal como o Coreano Park, que disfarça, mais pela disponibilidade para as tarefas colectivas defensivas.
O United nos chamados jogos grandes fora de casa, pela experiência grande que tem, aprendeu a sofrer, a ter de repartir mais a posse de bola com o adversário, e se tiver que jogar sem ela, também não lhe faz confusão.
É neste tipo de jogo que actualmente Nani e curiosamente Park se sentem mais confortáveis no Manchester, quando a equipa joga longe da baliza da equipa adversária e após a recuperação de bola, tem espaço nas costas da defesa, para com e sem bola, se lançarem embalados em correria loucas, tirando adversários da frente.
Foi assim o grandioso jogo de Nani no passado fim de semana.
Porém penso que, Fergunson não manterá jogadores no plantel, com o qual possa contar só para determinados jogos, são muito poucos os jogos por ano em que os Red Devils se deixem aparentemente “sodomizar”.
Se no passado o tempo corria a favor do ex leão, parece-me que actualmente já não. É urgente Nani se afirmar em definitivo com peça importante do United, é urgente que dê uma outra dimensão ao seu jogo, é urgente que não faça apenas e só 3/4 bons jogos por ano, é urgente que desequilibre mais em ataque continuado, é urgente que expluda como jogador e passe o seu jogo para outra dimensão.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

E tudo o Norte Levou

Em 5 dias pelo norte, o Sporting jogava para alem da motivação para o resto da época, jogava também as primeiras verdadeiras e duras avaliações ao trabalho de carvalhal.
Como escrevi recentemente, a primeira preocupação / ideia de carvalhal, foi conter a ferida e para isso teve que mudar o sistema táctico, após isso, após a estabilização, e pelo facto de ter percebido que o plantel que tinha não contemplava extremos, e que dificilmente os poderia ter no mercado de Janeiro, voltou a base táctica de 4*4*2.
Ganhou 7 jogos seguidos mas sem nunca encher o olho.
Na Sexta feira, e ontem, o leão tinha as suas primeiras provas de fogo, num mês louco de Fevereiro.
Se na Pedreira ainda mostrou algo, ontem no dragão foi esmagado.
Mais do que duas derrotas que o põe fora de duas competições, a equipa leonina, traz na bagagem novas duvidas sobre as suas capacidades e o seu real valor, e isso acreditem é mais duro e pesado que os 5 golos sofridos na noite do porto.
Carvalhal terá agora que rapidamente fazer esquecer estes dois jogos, e das fraquezas dos seus jogadores fazer forcas, para poderem encarar o Benfica olhos nos olhos, na única competição (e não estarei muito enganado) em que a equipa leonina tem reais hipóteses de ganhar.
Esta dupla deslocação ao Norte do país, poderá ter levado quase tudo o que restava na época leonina, e utilizo o quase para não dizer mesmo que, tudo o Norte levou.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Diz o povo que “Fevereiro quente trás o diabo no ventre”

Acabou ontem o mês que as equipas têm para ajustar os seus planteis para o resto da época que falta. Uns anunciaram que não iriam ao mercado e foram, outros anunciaram que iriam e quase não foram, outros simplesmente foram.

O líder Braga viu sair João Pereira, elemento importante na equipa de Domingos, para o seu lugar recuperou Miguel Garcia e para a lateral contrária inscreveu finalmente Tiago Pinto. Para o meio campo, contratou Rafael Bastos, que em Portugal já actuado no Belenenses e no Nacional. Sem duvidas que dos 5 elementos que entraram agora no plantel dos “Guerreiros do Minho”, Renteria avançado que entrou em Portugal pelas portas do Dragão e já esteve em Braga por empréstimo azul e branco, volta á Pedreira, na mesma situação de emprestado pelo Porto. Se em Itália o 1º classificado reforça o 3º, em Portugal o 3º reforça o 1º, parece estranho não. Aquele que sim, me parece grande reforço e pode a vir ser peça fundamental para o resto da época é o regressado luís Aguiar. Se o 1º empréstimo foi por parte do Porto, desta vez volta na condição de emprestado mas pelo Dínamo de Moscovo. Médio organizador de jogo, que pode jogar ao lado de Hugo Viana (sem este), é jogador e agora volta mais experiente.

O Benfica contratou na prática 1 reforço, Eder Luís, extremo ou falso ponta de lança, é aquele que certamente terá mais hipóteses de entrar no 11, Airton e Kardec foram contratados como opções para as indisponibilidades de certos jogadores (Cardozo e Javi Garcia) e numa óptica de futuro pela sua juventude.
Há ultima da hora acabou por inscrever Jorge Ribeiro, devido ao empréstimo do pouco utilizado Shaffer.

Pinto da Costa tinha anunciado que o F.C. Porto não iria ao mercado e que existia confiança no que existia no Olival, no entanto chegaram Ruben Micael, para tentar solucionar o problema existente na organização de jogo Portista, e chegou também o desconhecido Addy.
Falhou a contratação do avançado Kléber, coisa rara nas hostes azuis e brancas.
Para quem não ia ao mercado, até compraram muito.

Bettencourt tinha anunciado que o Sporting iria retocar o plantel, assim João Pereira foi o 1º a chegar a a confirmar as expectativas, Sinama Pongolle chegou, jogou e lesionou-se, mas pode vir a ajudar, e não conseguindo Manuel Fernandes, voltaram-se para o experiente Pedro Mendes, que chega a Lisboa com os olhos postos na África do Sul.
No debilitado Plantel Sportinguista, qualquer um que chegasse com um pouco mais de qualidade seria reforço. Nota para um que não chegou agora mas que é reforço, Izmailov, finalmente recuperado das lesões no joelho. Tanto suspiraram Paulo Bento e Carvalhal pelo Russo.

Diz o Povo que “Fevereiro quente traz o diabo no ventre”, e vai ser sem duvida um mês quente no futebol nacional, onde muita coisa se vai decidir. Ai estão os reforços (os que forem mesmo reforços) para ajudar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Carta a Miguel Veloso


Caro Miguel, permita-me que o trate assim, muito se tem falo do interesse de vários clubes na tua aquisição. Clubes de Espanha, Inglaterra, Itália, uns com mais ambições outros nem por isso. Hoje acordei com a notícia de que o Inter de Milão, treinado pelo nosso bem conhecido José Mourinho, estaria interessado no teu empréstimo até ao fim desta época desportiva.

Miguel, pergunto-me se tu próprio te perguntas-te para que posição te queria Mourinho contratar?
Queres fazer esse raciocínio comigo Miguel?
Antes disso pego no exemplo de uma das equipas que se falou, estar possivelmente interessado na tua aquisição. A Fiorentina.
Caso fosses para Florença, poderias e terias a possibilidade de jogares, no lugar que é público, preferes jogar, no meio campo, e de preferência na frente dos defesas, fazendo dupla com Cristiano Zanetti ou Montolivo. Nunca passarias de mais um médio defensivo banal e esporadicamente poderias ser chamado á selecção nacional. Já reparas-te quem é que os Viola adquiriram quando falharam a tua contratação? O nosso conhecido, Mário Bolatti que até é parecido contigo em termos de características de médio.

No Inter, e olhando rapidamente para os médios dos Neroazzuri, Stankovic, Tiago Motta, Sneijder, Muntari, Cambiasso, Mancini e Quaresma, só para falar dos mais conhecidos, penso Miguel que terias pouca hipóteses de jogar nessa zona do terreno, enquanto que na zona lateral esquerda da defensiva apenas existe Davide Santon, como lateral de origem. Penso que Mourinho pensou em ti como opção para esse lugar, e assim oferecia-te “grátis” o bilhete no lote dos 23 para o mundial, para além de potencializar-te naquela que, julgo ser a posição, onde te deverias fixar para poder jogar nos chamados grandes do futebol mundial.

Caro Miguel na minha opinião, poderás ser um grande lateral mundial, ou um banal médio central, essa será uma opção que em termos de carreira deverás fazer, se um dia saíres de Portugal, por outras palavras, essa opção será feita dependendo do clube para onde saíres.

Ferrara e o "Deus" da Sorte....


Jogo entre Juventus e Roma. O Jogo empatado a 1-1 e o Buffon é expulso por travar um avançado da Roma quando este estava isolado. Ferrara no banco retirar do campo Del Piero e faz entrar o suplente Manninger, o público reage com assobios. Para os adeptos os deuses, os ídolos são intocáveis, para os Juventinos Del Piero é isso tudo.
Último minuto de jogo, Riise de cabeça, faz o golo que dá a vitória aos Romanos. A realização filma Del Piero, que como capitão, grita aos seus colegas, e logo de seguida Ferrara, que no meio daquela multidão, é um homem só! Percebe que o seu caminho pode estar no fim, que se existe um deus da sorte esse não quer nada consigo, e que Del Piero é o Deus da sorte em Turim.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Se”, “então”, “O Quê”, para chegar ao "Como"

No livro “Segredos do Futebol” de Rui Pacheco, existe uma passagem referida como sendo de J. Garganta, que afirma que a “decisão estratégica está relacionada com os fins de mudança (“se”…”então”), enquanto que a táctica se reporta aos meios a utilizar para tal (ao “o Quê” e ao “Como”).”

Lembro-me desta passagem quando visualizo o Sporting vs Leixões e o Porto vs Leiria e me apercebo que existem alguns jogadores do Sporting e do Porto incapazes de tomar regular e consecutivamente boas decisões. É o “Se”, “Então”, “o Quê” e o “Como”

Os jogadores ao longo de 90 minutos tem que tomar consecutivas decisões, fruto de “problemas”, “situações” que lhes são colocados, o 1º passo para a resolução das situações, começa com a questão “Se”. Se eu tenho a bola, se eu não tenho bola, se o meu colega não me dá apoio, se isto, se aquilo.

O “Então”, são as inúmeras possibilidades de resolução desse “Se”. Se o meu colega tem a bola, então devo-me desmarcar, então devo-lhe dar apoio.

A selecção dessas inúmeras opções, leva o jogador para outra questão, o “O Quê”, é o momento prévio à execução. “O Quê” tem de ser posto sempre em dois sentidos, o que é que é melhor para a equipa, o que é que é melhor para mim, o momento em que maior parte das vezes, a decisão está tomada, e em que o jogador, pensa no que é melhor fazer naquela situação.

O “Como” é apenas e só a resposta mecânica á situação / problema, tendo como base a execução técnica- táctica. Como posso ultrapassar este adversário, como posso travar este adversário, como posso criar uma situação de desequilíbrio defensivo, como devo ocupar o meu espaço, etc etc.

A prática (no caso dos mais jovens), a experiência, leva a que este processo passe a ser cada vez mais rápido, pelo que pode ser chamado raciocínio rápido, o que leva a um executar mais imediato, no entanto haverão sempre os super dotados, que a isso tudo (prática, raciocínio rápido e experiência) acrescentam-lhe instinto. A chamada experiência acaba por ser uma antecipação do "Como" .

Volto ao início deste post, à incapacidade de certos jogadores do Porto, Sporting e já agora Benfica, tomarem regular e consecutivamente boas decisões durante o jogo. Prende-se apenas e só com o facto de “O Como” não estar bem assimilado, a segurança na execução técnica-táctica não está bem aprendida, não existe conforto (entendimento) na forma de jogo da equipa.
Exemplos?! Fernando no passado tinha Lucho na sua frente e a sua preocupação passava por chegar a dois “Comos”, como fechar a entrada de área defensivamente e como fazer chegar a bola ao organizador Lucho. Este ano ainda não consegui chegar a outros “Como” que lhe são pedidos por Jesualdo, como por exemplo, ser mais criterioso na transição defesa ataque.

João Moutinho é pelos dias de hoje um dos jogadores, como menos confiança no habitual 11 Leonino, disfarça pela sua qualidade individual, mas não sabe como deve ser o médio criativo que a equipa necessita. Como disse disfarça, mas o alcançar deste “Como” não se apresenta fácil. Mesmo assim, pela sua inteligência de jogo disfarça, chegando ao seu "Como" (não ao que a equipa precisa) utilizando a sua leitura de jogo e simplificando ao máximo as suas acções.

Di Maria é como todos sabem, um bom jogador do ponto de vista criativo, no Benfica é ele o único com autorização para dar “anarquia” ao jogo, porque lhe falta entender, de como pode pôr a sua criatividade ao serviço de um futebol ofensivo. Falta-lhe o "Como" pôr a sua criatividade ao serviço do "Como" colectivo, nunca lhe foi pedido.
Todo o processo de "Se", "Então", "O Quê", para Di Maria termina sempre num "Como" individual.
Ps: o Jogo está cada vez mais rápido e tudo isto se processa em segundos ou menos que isso. Como disse á pouco, dotados são os que por instinto chegam simultaneamente ao “Como” individual e colectivo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Quando não podes mudar...evolui!

A mudança ou evolução são processos que levam o seu tempo, tem de se estruturados, desde a identificação dos pormenores menos positivos ou necessidades, á aplicação na pratica dessa mesma mudança ou evolução.

È este o pensamento que me ocorre, ao ver o actual Sporting. Não me parece ainda uma equipa sólida, mas pode para lá caminhar, porque se encontrava em mudança e em evolução, e se um desses processos já é complicado, ambos em simultâneo, duplica a complexidade da tarefa.

Carvalhal, chegou, mudou para estancar, baralhou, testou e rapidamente voltou ao ponto de partida, ou seja percebeu que com o actual plantel seria difícil mudar e evoluir ao mesmo tempo, assim, voltou ao esquema táctico para o qual este plantel foi construído, o 4*4*2 losango, deixando de lado a mudança, mas não desistiu da evolução, assim sentiu a necessidade de dar ao sistema táctico e a filosofia de jogo (mais ao sistema que á filosofia), uma nova e maior dinâmica.
O nome e o rosto dessa nova e maior dinâmica, é só um João Pereira.
Dois jogos chegaram para provar que é reforço, e com o seu jogo feito de nervo, irreverência (mais contida actualmente do que nos tempos de Benfica), contagiou alguns dos seus colegas. Apesar de colocado na lateral direita em dois jogos foi dos jogadores do Sporting que mais teve a bola nos pés, sinonimo que a nova dinâmica do futebol do Sporting passa por laterais que consigam dar profundidade ofensiva. Se á direita o assunto está mais que arrumado (Abel ou Pedro Silva terão que partir), á esquerda, o único lateral que vejo para conseguir fazer um trabalho semelhante é….Miguel Veloso, desculpem-me a insistência, mas do actual plantel leonino só Veloso consegue dar o equilíbrio necessário a atacar e a defender.

Na nova dinâmica entra também Adrien Silva, que no campo “limita-se”, a ficar o mais quieto possível, para ser apoio na circulação de bola de um corredor para o outro, e a fazer compensações aos laterais.

Um dos responsáveis por Carvalhal ter voltado ao losango é Saleiro, teve a oportunidade, correspondeu, e fez Carvalhal pensar que de futuro podia ser uma boa dupla com Liedson. Se bem que Saleiro sabe que quando Liedson e Sinama Pongolle voltarem das lesões, terão direito a serem testados juntos.

Se João Pereira, Saleiro e Adrien são os rostos positivos da evolução Leonina
Matias Fernandez e Polga, serão os rostos da mudança, o Chileno passa agora mais tempo no banco, e o até agora titular, fosse em que condição fosse Polga, faz-lhe companhia, e acredito que no inicio do próximo ano, já não se treine em Alcochete.

Ainda há muito trabalho para fazer por Carvalhal e a sua equipa, principalmente na segurança e dinâmica com que as acções colectivas são efectuadas, mas já começam a mostrar uma imagem mais atraente do que até á bem pouco tempo atrás.
Ps: Carvalhal tem também Izmailov, pelo qual tanto Bento suspirou, com ele em campo, há outro Sporting, para melhor.

A inadaptação do Benfica (Aimar) e do Barcelona em sair do seu estilo.

O Benfica da época 2009/10 é como se sabe uma equipa que gosta de sair de trás a jogar, pelos corredores lateiras do campo em velocidade, com trocas rápidas de bola.
O Barcelona é como se sabe uma equipa de posse e circulação, á procura do momento certo para atacar a baliza.

Aimar é um “menino” que não sabe chutar a bola para a frente e correr atrás dela, gosta de receber, tocar, tocar, desmarcar, voltar a receber, tocar, driblar, lançar com objectivo, não chutar e correr atrás.
Colocar Aimar, no campo, nas condições em que o relvado do Dom Afonso Henriques, se apresentou ontem, pareceu-me logo uma “ insensatez”. Jesus quis dar ritmo a Aimar, mas acabou por apenas e só o enervar, Aimar corria, lutava, tentava, mas era impossível, praticar o seu futebol. Enervou-se, nunca foi o organizador que tem sido nesta época, a quase acaba expulso.
Apesar das condições do relvado, Jesus achou por bem, não abdicar de início, dos principio que tem regido o futebol encarnado, e com isso deu mais de 45 minutos ao Vimaranenses, que com todo o mérito foram quase sempre mais equipa.

Ao intervalo, Jesus deu a mão a palmatória e percebeu que precisava de peso no meio campo, e de um futebol mais directo, Entraram Javi Garcia (peso) e Cardozo, altura e referencia no pontapé longo, para queimar metros na progressão no terreno enlameado de jogo. Equilibrou, sofreu um golo, podia ter sofrido o 2º, podia ter empatado mais cedo, e acabou mesmo por empatar.
Os de Lisboa demoram 60 minutos a sair do seu estilo de jogo, demoraram todo esse tempo, para se adaptarem á inadaptação de não poderem fazer o seu jogo.

Ao mesmo tempo que vejo a 2ª parte do Benfica, observo o Sevilla Barcelona, 2ª mão da Taça do Rei, que se iniciava com vantagem para os Sevilhanos por 2-1.
Início de jogo forte dos homens de Sevilha, muita pressão no meio campo do Barça e com bola, procuravam mantê-la o máximo de tempo possível, retirando assim o máximo de posse de bola ao Barcelona.
O Barcelona sem o seu DNA de jogo, posse de bola, não conseguia sequer fazer cócegas.
Em campo, mais uma vez, Jesus Navas encantava-me com as suas arrancadas, com o seu estilo esguio, atrevido, dinamitando todo o corredor direito Sevilhano, deixando Abidal com a cabeça em água.

O Barcelona, mesmo tendo que marcar dois golos para passar a eliminatória, mesmo se vendo posto em sentido pelo futebol ofensivo do Sevilha, calma e tranquilamente procurava o seu jogo, procurava melhorar a sua posse de bola.
Demoraram cerca de 60 minutos a faze-lo, mas nunca mas mesmo nunca, deram um chutam para o ar, sem nexo, nunca procuraram desesperadamente a baliza, nunca esqueceram a sua filosofia de jogo.
Após o golo de Xavi, lá continuou, a mesma paciência em busca do golo, a mesma posse e circulação, e as oportunidades de golo desperdiçadas em serie.
Mesmo no minuto 89, não caem na tentação de fazer futebol directo e colocarem a bola dentro da área do Sevilha, não estão adaptados para isso.
Palop salvou o Sevilha, e os Andaluzes eliminaram o Barça, com mérito, claro, porque é necessário mérito para o fazer.

No fim do jogo lembro-me novamente de Aimar, e de como ele teria sido muita mais feliz a jogar no relvado do Sánches Pizjuán, a jogar de bluegrena, a jogar numa equipa que tem a mesma filosofia de jogo, que o Benfica não pode ter ontem em Guimarães.
Aimar nos 45 minutos que esteve em campo nunca se adaptou, ao que tinha que ser feito sobre aquele terreno de jogo, mas certamente que em 5 minutos se adaptaria á posse e circulação de bola de Xavi, Iniesta e Messi.


Ps: No 4º minuto dos descontos de 2ª parte Pique, dá “finalmente” um chutam em busca da sorte, para a área do Sevilha, claro que dai nada resultou para o Barcelona, não esta no seu DNA.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

o meu 11 de 2009

Final de 2009, altura de falar dos 11, que mais me impressionaram durante este ano

Para a baliza, escolho Júlio César, Guarda redes do Inter e da selecção Brasileira, se na selecção tem uma defesa que lhe dá alguma tranquilidade, no clube é ele que muitas vezes resolve os problemas que a sua própria defensiva lhe coloca, sendo um dos grandes responsáveis por Mourinho ter ganho um “Scudetto”.

Para lateral direita Maicon, também ele lateral do Inter e da selecção Brasileira, Maicon sempre seguro a defender é no entanto nas acções ofensivas que se destaca, chegando a confundir-se com um extremo.

Na Lateral Esquerda o Francês Evra, depois de alguma inconstância, nas ultimas duas épocas no Man United confirma-se como lateral de nível mundial.

Para centrais escolho uma dupla Espanhola e do Barcelona, Puyol, que personifica o espírito catalão, e pode jogar em qualquer lugar da defensiva, e para o seu lado, aquele que para mim foi o jogador que mais evolui, Gerard Pique, que ao longo de 2009 tornou-se uma das figuras dos Barcelonistas. Rápido, com bom jogo aéreo e muita qualidade técnica a nível do passe.

Para o meio campo escolho 3 jogadores. Os 2 primeiros, são os “gémeos” da Catalunha Xavi e Iniesta, e certamente não preciso de explicar o porque de aqui constarem, os 6 títulos no ano do Barcelona tem a sua marca. Para completar o trio de meio campo, Kaká. Não foi certamente o melhor ano do Brasileiro, mas mesmo num ano menos bom, esteve no melhor Milan e mudou-se para Madrid.

Na frente de ataque, não existem também grande duvidas, nem grandes explicações, Cristiano Ronaldo á direita, Ibrahimovic ao centro, pela importância no titulo interno do Inter, e á esquerda aquele que foi coroado recentemente como melhor do mundo, Messi.

Para treinar este onze de luxo, aquele que sem duvidas foi o melhor treinador no ano de 2009 Guardiola, ninguém ganha o que ele ganhou apenas e só por ter bons jogadores.

Ps: De fora ficam Fabregas (o que jogou em 2009), Yoann Gourcuff, Adebayor, Drogba, Pato, Daniel Alves, Eto´o, Arshavin (grandes momentos de futebol), Rooney e Lampard

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Onde se ganha um clássico.


Para se ganhar um clássico ou um derby, jogos normalmente com um grau de dificuldade maior, pela envolvência dos próprios jogos, é necessário que as equipas estejam bem em todos os sectores do campo. Desde a baliza até ao ataque.
No passado Domingo no clássico Benfica Porto, o jogo do gato e do rato de 2 jogadores, desequilibrou o jogo a favor dos encarnados de Lisboa.

Fernando pela posição que ocupa no campo, tem de ser considerado um jogador importante na estratégia portista, pelas linhas de passe que deve cortar, pelos compensações que deve fazer, pelos equilíbrios que deve dar á equipa na zona frontal do relvado.
Pelo facto de Jesualdo optar por deixar um dos seus centrais soltos de marcação (normalmente Bruno Alves), para dobrar o resto da defesa, no Domingo tocou-lhe em sorte aparecer no seu espaço Javier Saviola, que como sabemos é um avançado móvel, que normalmente baixa no campo, procurando espaço entre linhas, ou caindo nas faixas laterias, para depois em drible, velocidade ou em tabelas, aparecer na zona de finalização.

Estas movimentações de Saviola, obrigaram Fernando a desposicionar-se do corredor central, deixando constantemente a luta de meio campo entregue a Meireles e Guarin, perante 4 elementos encarnados, Javi Garcia, Ramires, Carlos Martins, e Urreta, que apesar de ser extremo partia normalmente de trás para a frente.

Foi nesse desequilíbrio numérico, que a durante a 1ª parte, na zona onde normalmente se ganha os jogos, que o Benfica ganhou o clássico.

Em contra ponto, quando o Porto na 2ª parte colocou dois avançados na zona central, Falcão e Hulk (depois Farias), com Varela e Rodriguez ,nas alas, o Benfica defensivamente preferiu Jogar, com os dois centrais a marcarem os dois avançados, ou com 1 dos laterais (normalmente o lateral da lado contrário ao da bola) a fechar para a marcação de um dos avançados.

Duas formas diferentes de atacar nos mesmos esquemas 4*4*2, mobilidade de Saviola, nos dois da frente encarnados, mais presos em entregues á marcação Hulk e Falcão, para duas formas diferentes de defender, no Porto o pivot defensivo (Fernando) marca individualmente e disposiciona-se, no Benfica, Javi Garcia mantém a sua posição e a marcação aos dois avançados fica entregue a coordenação defensiva dos 4 defesas.

Qual das duas formas de defender é mais correcta?
A resposta dependerá sempre das características próprias das equipas.
Neste clássico levou vantagem o Benfica, e um dos motivos para isso, foi a vantagem que Saviola ganhou a Fernando nos seus duelos individuais.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A importância do Futebol do Barcelona como exemplo de formação


É quase consensual, que o futebol praticado pelo F. C. Barcelona nesta ultima época e meio, é o mais espectacular e eficaz da actualidade.

Como treinador de escalões de formação, pego em muitos exemplos que acontecem nos jogos, que hoje em grande parte são televisionados, para uma melhor explicação, exemplificação e entendimento do jogo por parte dos “Petits”.
Ora se o grande objectivo do jogo é chegar ao golo, o Barcelona é hoje em dia um bom exemplo, pelas diferentes formas como consegue produzir futebol ofensivo, individual e colectivamente tendo como fim esse mesmo objectivo.

Desde cedo, nós treinadores / formadores, tentamos trabalhar entre outros aspectos o aperfeiçoamento da recepção, passe e desmarcação, do aspecto do drible e da criatividade, da utilização da velocidade de pensamento, reacção e de execução, da procura da largura do campo, como forma de chegar á profundidade. Tentamos incutir aquilo que chamamos princípios básicos do jogo.

Tudo isto tem ou tem tido o Barcelona de Guardiola. Por isso mesmo, é hoje, se não a equipa mais importante, é das mais importantes como referência explicativa e exemplificativa para os mais jovens, que sonham ser um dia jogadores de futebol

A qualidade de recepção de bola demonstrada por grande parte dos seus atletas, a capacidade de passe curto, em busca de progressão no campo. através de tabelas sucessivas em espaço curto, com a alternância de passe longo procurando variar o chamado centro do jogo, a capacidade de drible nos confrontos de 1*1 ou 1*2 (2 defensores) com os seus opositores directos, as desmarcações nos espaços vazios, tudo isto aliado a velocidade com que pensam e executam.

Se nós no campo tentamos incentivar e motivar os nossos jovens para a aprendizagem, actualmente são Messi. Xavi, Iniesta, Ibra, Henry, Puyol, Daniel Alves, Pedro, Keita, Rafa Marquez , Piqué, etc os melhores professores que se podem encontrar como equipa, porque semanalmente dão verdadeiras aulas exemplificativas de bom futebol, de sentido colectivo, sentido táctico, recorrendo-se das suas características.

Se o futebol saiu das ruas, onde a aprendizagem e a execução do jogo, era instintiva e natural, com pouco entendimento do mesmo, passa para as chamadas Escolas de Futebol (até as próprias escolas primárias começam a ter as suas) onde, essa lado instintivo e natural, passa a ser estruturado e orientado, para o entendimento do jogo. É excelente que consigamos utilizar exemplos individuais, postos ao serviço de um grande colectivo, como é a equipa do Barça, dai a sua importância como exemplo prático de formação.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Benfica vs Porto 2009/10

Todo o jogo tem a sua Particularidade, assim como todos os clássicos por mais edições que tenham, terão sempre a sua particularidade. Este tem a particularidade de poder fazer com que o Benfica, apesar de ter passado grande parte do tempo na frente dos seus dois maiores rivais, passe a celebre quadra natalícia atrás de um deles, o Porto.

Jesus deve andar por estes dias, com os cabelos mais brancos, com menos horas de sono, e com redobrada atenção aos treinos da sua equipa, em busca de um 11 que não defraude as expectativas do sua massa de adeptos. Busca ansiosamente soluções para substituir apenas e só Ramires, Coentrão, Di Maria e Amorim aquele que chamo de 12 jogador também está KO, Aimar estará em duvida até á hora do jogo.

Não há jogadores insubstituíveis, o melhor não deveria haver, Ramires é um dos casos deste Benfica, o Brasileiro chegou, viu e rapidamente convenceu, tornando-se insubstituível em campo. De todos os ausentes, aquele que para mim menos falta fará ao Benfica, em termos de colectivo é….Di Maria, o Argentino á muito que voltou ao futebol irregular que tem caracterizar os seus anos na Luz. Coentrão e Amorim, substitutos da Ramires a Di Maria acabam por castigo e lesão, também eles ficar de fora.

A equipa de Jesus á cerca de 3/4 jogos que deixou de apresentar frescura física, o que juntando um maior conhecimento por parte dos adversários, dos seus mecanismos ofensivos, tem diminuído e muito a qualidade futebolística encarnada.
Já todos perceberam a importância dos laterais no futebol encarnado, e trava-los ofensivamente é uma das chaves para logo emperrar o futebol encarnado, outra será anular as movimentações de Aimar e Saviola.

Voltando aos laterais, Jesus tem apostado em César Peixoto na esquerda, mas está mais que provado que o ex Bracarense, não consegue dar a profundidade necessária, que quer Schaffer ou mesmo Coentrão dão. Peixoto que curiosamente e certamente com a onde lesões e castigos, garante a titularidade quase certamente no lado esquerdo do meio campo, deixando a lateral esquerda para…David Luiz. È publico que Jesus não aprecia o lateral esquerdo Argentino, e não acredito que deposite nele confiança para jogar o clássico. Acredito pois que puxe David Luiz para a esquerda da defesa, jogando Sidnei ao lado de Luisão. Javi Garcia é certo assim como Aimar caso recupere, Filipe Meneses e Carlos Martins disputam as restantes vagas. Savila e Cardozo são intocáveis

Jesus poderá tornar essa desvantagem em vantagem, só perto da hora do jogo jesualdo saberá quem jogará do lado encarnado, vamos ver e como explora o treinador encarnado essa vantagem.

Jesualdo é neste momento um homem mais tranquilo, depois um uma fase menos boa, o Porto parece ter reencontrado o seu rumo, e tendo as armas todas á disposição, Jesualdo, poderá escolher o 11 que melhor se enquadra com as suas pretensões. E certamente a sua pretensão passa por passar o Natal á frente do seu rival.

Assim na defesa não há grandes duvidas, Helton, Fucile, Rolando, Bruno Alves e Álvaro Pereira. Fernando e Meireles estão certos no meio campo, á outra vaga ficará entre Guarin ou Belluschi. Na frente Hulk começando nas alas esquerda, para manter sempre atento Maxi Pereira e assim evitando as subidas do lateral encarnado, e do lado contrário Varela que lhe permite, equilibrar o meio campo com 4 elementos quando o Porto não tiver bola. Ou seja, repetir um pouco o que foi feito em Madrid, 4*3*3 em ataque, 4*4*2 a defender, sendo a nuance táctica definida pelo posicionamento de Varela. Sobram ainda Cristian Rodriguez em mais um regresso á Luz, Farias e Mariano Gonzalez, pouco querido pelos adeptos, mas de uma utilidade táctica para o treinador.

Porto muito mais previsível em termos de 11 base que o Benfica.

Aparentemente mais dificuldades para Benfica do que para Porto, fruto das consequências dos 2 últimos jogos, mas o publico encarnado não deixará a sua equipa sozinha, e certamente tentará ele ser o 12º jogador. Que efeito terá sobre os jogadores encarnado?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

“Quem se emocionar com as táticas que levante a mão”.

Um dia numa das minhas pesquisas na net (julgo eu que procurava frases de Jorge Valdano), deparei-me com esta pergunta que dá titulo ao post. “Quem se emocionar com as tácticas que levante a mão”.
Poucos o fariam, poucos levantariam a mão, poucos o fariam, respondendo afirmativamente a esta pergunta.

Numa altura em que se fala cada vez mais, em organização de jogo, modelos de jogo, filosofias de jogo, não se poderia resumir tudo á velha palavra, táctica.
Mas será a táctica a base das equipas, ou os jogadores que a compõe? A velha questão do treinador, que transporta a sua táctica de equipa para equipa ou o que muda de táctica conforme os jogadores que compõe o seu plantel.

Voltando á questão base deste texto, pergunto-me agora se o jogo, não estará agora dividido em dois. O jogo de futebol normal, para o “velho adepto” que não se “emociona” ou pouco valor dá ao aspecto táctico do mesmo, que quer ver é golos, dribles, ataque vs ataque, e um outro jogo, parecido com o xadrez onde as peças tem movimentos próprios, previamente antecipados pelo “Jogador” (leia-se treinador). Esses (treinadores) são os poucos que terão que obrigatoriamente levantar a mão, visto que mesmo durante os 90 minutos mínimos, em que decorre uma partida, terão que dar igual atenção, ao avançado que tacticamente cumpre o que se lhe pede, mas não o desiquilibra, e ao avançado que sem cumprir tacticamente resolve em termos numéricos o jogo, desequilibrando-o tacticamente a seu favor ou contra si, por não cumprir tacticamente. São os treinadores que cada vez menos desfrutam do jogo, porque constantemente, enquanto ele decorre, tem que decifrar enigmas adversários para, logo ajustar as suas peças, na livre movimentação pelo tabuleiro de jogo. Aqueles que apenas buscam divertimento no jogo, são incapazes de entender, o porquê do jogo estar cada vez mais táctico. As pessoas mais antigas, essas então não percebem o porquê desses monstros tácticos em que se tornaram os treinadores, terem matado o 10, aquele jogador ao qual lhe era dada liberdade para fintar, praticamente só atacar e que eram os ídolos do povo, aqueles que arrancavam dribles estonteantes, faziam golos divinais ou mágicas assistências. O 10 foi transformado em médio centro capaz de ter de jogar de área a área, em extremos, ou avançados, por aqueles que se emocionam com as tácticas. Existem raras excepções, que sobrevivem em equipas, tacticamente pensadas para a sua sobrevivência.

Peguei no 10 como exemplo, porque podia ter pegado no 9, e na pouco compreensão deles, actualmente terem de ser os primeiros defesas de qualquer equipa, ainda recentemente Xavi, após os primeiros jogos de Ibrahimović no Barcelona, ter afirmado mais ou menos por estas palavras, que o Sueco teria que se adaptar á forma de jogar de defender da equipa, isto porque esta estava habituada a que Eto´o fosse o primeiro a fazer pressão.
Fala-se hoje muito, que a equipa deve estar posicionada para a perda de bola! Então se o objectivo do jogo é marcar golos, terão os jogadores que estar a pensar em defender quando a posse do que domina o jogo, está nos seus pés? Terão os jogadores que se desmarcar para tentar receber um passe, pensado na possível perda de bola?
Tudo isso é complicado, tudo isto torna o jogo cada vez mais complicado, de ver, perceber, ensinar e jogar
Será o jogo actualmente a busca constante de desequilibrar o adversário com a técnica e criatividade para o equilibrar ou estancar com a táctica.

Que o povo não se emociona com a táctica é certo, mas que até os jogadores, que deveriam ser os últimos guardiões, do futebol “anárquico” (chamemos-lhe assim), se converteram á táctica….muito certamente de forma imposta, mesmo não se emocionando com ela, mas a conversão esta feita.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Finalmente o meu Inter!


Vejo com especial atenção, o Inter vs Rubin Kazan, e numa vista rápida no onze titular Neroazzuro, logo sorri, finalmente Mourinho tinha apostado no meu Inter, naquele ataque que penso, mais favorece os jogadores que o compõe.
E se na defesa nada fugiu ao habitual, foi a partir do meio campo - ataque que desde cedo se aguçou a minha curiosidade. Thiago Motta, não é nem nunca será um médio de grande correrias, será sempre um médio de ocupação de espaços, qualidade de passe na transição ofensiva e fechar linhas na transição defensiva, fazendo tudo isto jogando quase quieto, sem sair muito do seu lugar, o mesmo papel poderia / poderá ser feito por Cambiasso. Já Stankovic é de outra fibra, outra vocação ofensiva e defensiva, apesar dos 31 anos, por vezes faz-me lembrar os meninos de 19, pela intensidade com que disputa os lances. Sneijder é um maestro, que gere já, aos 25 anos os ritmos de um jogo como um veterano em fim de carreira, acelera quando deve, arrefece quando a equipa precisa de descansar e ou arrefecer os adversários, depois todo ele é criatividade, técnica e sentido de equipa. Foi aqui que mourinho começou a ganhar o jogo.

Se José começou a ganhar o jogo por ter optado pelo 4*3*3, disposto como referi, acabou, por o ganhar na colocação de Balotelli ao lado de Millito e Eto´o. Constantes trocas posicionais entre estes 3 homens quando em posse, 3 finalizadores, capazes de jogar sobre as 3 faixas do relvado, capazes de segurar , tabelar, driblar. Ficou para Mário a missão, de quando em perda baixar no campo com dois objectivos, equilibrar o meio campo defendendo em losango e dar a possibilidade ao 45 “Neroazzuro” de jogar de trás para a frente, embalado, como tanto gosta.

Como Mourinho disse já algumas vezes o Inter jogou com 3 avançados, mas se bem me recordo foi a primeira vez que entrou assim. Naquele que penso que seja o modelo que mais favorece e potencia a equipa de Mou.
Pessoalmente não acredito, e não acredito que Mourinho acredite, que haja jogadores incompatíveis em campo pelas suas características, acredito sim é que há que trabalhar e melhorar essas incompatibilidades, para não as expor na equipa.